terça-feira, setembro 09, 2008

O cómico antitrágico de Machado de Assis

«O cómico é essa recusa [i.e. a recusa da consolação da inteligibilidade]: além de antimoderno, o cómico machadiano é antitrágico, no preciso sentido em que denuncia a presunção persistente de que o modelo trágico é o modelo adequado à inteligibilidade da vida e do mundo. A recusa do trágico é rigorosamente antimoderna - quer dizer, modernamente antimoderna - porque conduzida à opção pelo cómico: o tédio e a melancolia, o desconcerto e o absurdo, são e não podem ser senão matéria de comédia, e comédia filosófica, porque são e não podem ser senão matéria da inquirição filosófica que desfigura a face eufórica e providencialista dum mundo ordenado para o progresso.»
Abel Barros Baptista. "Mas este capítulo não é sério..."
(Revista Ler, n.º 72, Setembro 2008)

Os Poderes Filosóficos de W. Quine




quinta-feira, agosto 28, 2008

Aulas de Literatura: a avaliação de Tolstoi

«Tolstoi é o maior escritor russo de ficção em prosa. Deixando de lado os seus precursores Púchkin e Lermontov, talvez se possam ordenar os grandes artistas russos da prosa da seguinte forma: em primeiro Tolstoi; em segundo Gogol; em terceiro Tchékhov; e em quarto Turgueniev. É como dar notas aos trabalhos dos alunos, e não há dúvida de que Dostoievski e Saltykov estão lá fora à porta do meu gabinete para discutir a má nota que tiveram.»
Vladimir Nabokov, posfácio a Anna Karénina (trd. António Pescada. Relógio d'Água, 2006)