V. Chklovski. "A arte como processo", in Tzvetan Todorov. Teoria da Literatura - I. Textos dos formalistas russos. Lisboa: Edições 70, 1999 (1.ª edição Théorie de la Littérature, 1965)
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Arte e Singularização
V. Chklovski. "A arte como processo", in Tzvetan Todorov. Teoria da Literatura - I. Textos dos formalistas russos. Lisboa: Edições 70, 1999 (1.ª edição Théorie de la Littérature, 1965)
Breve apontamento sobre a "seriedade" (Quadratura do Círculo)
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Symposium
terça-feira, dezembro 09, 2008
Homens e vermes. A Febre, de Le Clézio

...nunca, não, nunca se saberá verdadeiramente até
"A febre", "O dia em que Beaumont travou conhecimento com a sua dor", "Parece-me que o barco se dirige para a ilha", "Atrás", "O homem que anda", "Martin", "O mundo está vivo", "Então poderei encontrar a paz e o sono" e "Um dia de velhice" fazem parte de uma obra que Jean-Marie Gustave Le Clézio, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura 2008, publicou em 1965 (tit. orig. La Fièvre) e que a Ulisseia editou no mês passado, com tradução de Liberto Cruz. Se o modo clássico de narrar se define por um princípio de coerência a que por vezes se chama 'aristotélico', princípio segundo o qual as histórias bem contadas têm princípio, meio e fim, as 'histórias de loucura' reunidas em A Febre são, exactamente, narrativas que negam a noção clássica de bem contar. Este traço parece, no entanto, decorrer de aspectos da 'vida imitada', e não tanto, ou apenas secundariamente, de uma opção estética (do mesmo modo, é improvável uma apreciação meramente estética de "experiências" como o nouveau roman; nestas experiências literárias, associadas a um período em que a palavra "Deus" foi banida do vocabulário de certa filosofia, não deixa de estar em causa, quase freudianamente falando, um certo mal-estar).
Escrita que pretende descrever a alucinação, a subversão do real - escrita que procura dizer tudo o que, como a dor, parece escapar à possibilidade de comunicação -, a escrita de Le Clézio atinge também, em certos momentos, a clareza das descrições precisas e exactas. Um exemplo perfeito é, a meu ver, "Martin", a história, em tom kafkiano, de uma 'metamorfose sem transformação', em que a possibilidade de compreender realmente a existência decorre da percepção de uma semelhança essencial: a semelhança entre o ser humano e um animal que se enrola sobre si mesmo para proteger «a vida palpitante» (p. 149).
Referência das páginas: A Febre, Lisboa: Editora Ulisseia, 2008.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
'Palavras de fósforo' (uma definição de poesia?)
J. M. G. le Clézio, "O dia em que Beaumont travou conhecimento com a sua dor".
Excerto de uma das 'nove histórias de loucura' incluídas em A Febre (Lisboa: Editora Ulisseia, 2008. Tradução de Liberto Cruz. 1.ª edição - Paris: Gallimard, 1965).
domingo, dezembro 07, 2008
O berço
Tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar
Mário Cesariny, Pena Capital.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
A felicidade não tem história. 'A Viagem do Elefante'
Diz-se, depois de que primeiro o tivesse dito tolstoi, Na passagem que abre este post, Saramago, fazendo alusão às primeiras palavras do romance Anna Karénina, apresenta uma definição exacta do seu livro mais recente: este livro é a história de um elefante infeliz, porque só os (elefantes) infelizes têm uma história (a Poética de Aristóteles diz, sobre as pessoas, uma coisa parecida por outras palavras...). Classificar o livro como "romance" é ir de encontro à classificação do autor, que, no programa Pessoal...e Transmissível e noutros lugares, defendeu antes a etiqueta "conto longo" (José Saramago parece aliás dar-se mal com certas teorizações sobre o fenómeno literário. Em tempos, afirmou que a distinção entre narrador e autor carecia de fundamento. Segundo relatos de quem estava presente - em Coimbra, creio -, alguns professores de Literatura e de Teoria da Literatura sentiram-se incomodados).
Como um membro da caravana a quem coube a tarefa de transformar a história (quase épica) de Salomão em Literatura, o narrador/autor acompanha o que acontece, mas, porque está especialmente atento ao funcionamento das palavras (cf. p. 84, p. 155), não dá pistas conclusivas que permitam, por exemplo, asseverar que aquele elefante representa uma pessoa (e que o romance é uma descrição fatalista da existência, um pouco à Ricardo Reis). Podemos falar do romance deste modo, e considerar que a viagem é, como sempre, metáfora de um caminho que é o da própria vida, mas não é Saramago que o determina. Como os humanos, Salomão está sujeito à lei da vida, ou seja, à lei que introduz uma curta distância entre o triunfo e o olvido, mas não deixa de ser um elefante cujos dejectos ofendem o olfacto delicado do arquiduque. De certo modo, é como se a narrativa, porque é feita de palavras (tudo o que temos), fosse apenas o início de uma conversação (p. 84), uma conversação sobre o sentido, algo que, como a própria literatura, talvez se confunda com a "eternidade".
(Referência das páginas: edição da Caminho)
terça-feira, dezembro 02, 2008
Amizade e Interpretação
Uma boa maneira de descrever algumas das coisas que Alberto Caeiro também se divertia
domingo, novembro 30, 2008
Gaffes
Via Arrastão (e, no Arrastão, via Blasfémias)
'Misturar alhos com bugalhos'; 'Não bate a bota com a perdigota'
sábado, novembro 29, 2008
Ainda sobre o centenário do nascimento de Lévi-Strauss
O texto de Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte.
sexta-feira, novembro 28, 2008
A arca
Graças ao trabalho desenvolvido pelo Instituto de Estudos sobre o Modernismo, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, já temos isto e isto.'Máquinas que criam mitos' - sobre os 100 anos de C. Lévi-Strauss
quinta-feira, novembro 27, 2008
Literatura e sabedoria segundo Harold Bloom
Política e formas de amizade
terça-feira, novembro 25, 2008
Pois, há 'outras questões'
Lido na Time Out Lisboa (Novembro de 2008, n.º 60).
segunda-feira, novembro 24, 2008
Apontamento sobre "A Turma"
Por fim, também não será por acaso que o filme termina com uma bela, e justa, descrição do método dialéctico praticado pela personagem principal d' A República. Ao escutar com fascínio a explicação do procedimento maiêutico de Sócrates, explicação apresentada por uma aluna, o professor torna-se o interlocutor visado, ou seja, naquele momento, ele percebe os limites do seu pensamento.
Ainda a propósito da democracia - algumas notas
sexta-feira, novembro 21, 2008
Está tudo explicado: Manuela Ferreira Leite é divertidíssima e, por isso, precisa de um hermeneuta como assessor (Governo Sombra, 21.11.08)
Pedro Mexia quis falar sobre a actual situação do partido socialista francês e sublinhou que o momento vivido pelo partido da oposição em França permite reflectir sobre o futuro da esquerda. Rui Miguel Tavares tomou o caso como exemplo do "estilhaçamento" que tem afectado partidos arredados do poder. Mexia destacou também duas notícias que chegam de Espanha: a prisão de um dos líderes da ETA e a desistência de Baltasar Garzón de investigar desaparecimentos ocorridos durante a Guerra Civil e o franquismo (desistência justificada pelo facto de terem morrido todos os acusados).
Um tema importante no programa foi o da ironia de Manuela Ferreira Leite. Depois de notarem que muitas coisas que Manuela Ferreira Leite diz não são para levar a sério, os membros do Governo Sombra concluíram que a líder do PSD é muito divertida. Assim, faz falta ao partido um hermeneuta que ajude a esclarecer as subtilezas do discurso.
Sobre a postura de Maria de Lurdes Rodrigues, Rui Miguel Tavares considerou a possibilidade de um "problema genético lusitano" que ajudaria a explicar por que razão os governantes portugueses não conseguem reunir dois traços: vontade de reformar e capacidade de diálogo. Ricardo Araújo Pereira considerou curioso o facto de a ministra ter cedido perante quem atira ovos [esta semana, o título da crónica semanal que assina na Visão é, precisamente, "O ovo da C+S Cristóvão Colombo"].
Os decretos da semana foram: ter os olhos na política americana (Rui Miguel Tavares); que os humoristas norte-americanos continuem a desempenhar de forma genial o seu papel (Pedro Mexia); que Carlos Queirós seja submetido a uma avaliação rigorosa, ficando com menos tempo para treinar (Ricardo Araújo Pereira). Pegando no decreto de Ricardo Araújo Pereira, Mexia reiterou uma ideia: um treinador não pode usar termos como "naïf" em conferências. Daqui a pouco, imagine-se, a discussão sobre o dasein heideggeriano chega ao balneário...

