segunda-feira, março 09, 2009

Acho que vale a pena citar este texto. Segundo os economistas, não é um "problema estrutural", mas...

«Oprah Winfrey (SIC Mulher) dedicou um dos seus programas à tragédia dos cães e gatos abandonados e, sobretudo, ao meritório trabalho dos asilos que os recolhem, procurando colocá-los em lares onde sejam bem recebidos. Nos EUA, o problema envolve, anualmente, milhões de animais, muitos deles condenados a ser abatidos. Bem sabemos que os dramas sociais estão longe de se esgotar neste problema, mas o modo como é formulado acaba por ser um significativo índice de civilização. Oprah deu uma serena lição de pedagogia social, sem demagogia nem miserabilismo, com um rigor raro nos talk shows.»

O texto é de João Lopes, do Sound + Vision

O amor é uma ideia insensata


O filme mais recente de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, parte da noção de que existem formas diferentes de entender o amor, mas fá-lo de modo a reflectir sobre aquilo que há de comum nessas formas de pensar o amor, ou de tentar enquadrá-lo racionalmente no plano das nossas vidas. Na verdade, a história de duas americanas - Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) - em Barcelona mostra que aquilo que existe de comum nas concepções sobre o amor é o facto de serem concepções idealistas no sentido filosófico do termo (e concepções que, quase sempre, a vida se encarrega de refutar). Nesta medida, o filme parece sugerir que a ideia mais coerente ou sensata sobre o amor é, afinal (ou sempre), a romântica, segundo a qual o mundo será sempre um lugar pequeno para albergar o nosso sentimento, ou para responder a tudo o que o "eu" é capaz de conceber. Mesmo para Cristina, que abomina as convenções, o amor significa 'algo que falta'. É o nome de uma 'insatisfação crónica', nas palavras da Maria Elena (interpretada por Penélope Cruz).

sábado, março 07, 2009

Música para o fim-de-semana (e não só)

"And everyone young going down the long slide / To happiness, endlessly."

High Windows

When I see a couple of kids
And guess he's fucking her and she's
Taking pills or wearing a diaphragm,
I know this is paradise

Everyone old has dreamed of all their lives -
Bonds and gestures pushed to one side
Like an outdated combine harvester,
And everyone young going down the long slide

To happiness, endlessly. I wonder if
Anyone looked at me, forty years back,
And thought, That'll be the life;
No God any more, or sweating in the dark

About hell and that, or having to hide
What you think of the priest. He
And his lot will all go down the long slide
Like free bloody birds. And immediately

Rather than words comes the thought of high windows:
The sun-comprehending glass,
And beyond it, the deep blue air, that shows
Nothing, and is nowhere, and is endless.


Philip Larkin

sexta-feira, março 06, 2009

Optimismo na filosofia moral contemporânea, e Heidegger e Sartre num parêntesis

Much of contemporary moral philosophy appears both unambitious and optimistic. Unambitious optimism is of course part of the Anglo-Saxon tradition; and it is also not surprising that a philosophy which analyses moral concepts on the basis of ordinary language should present a relaxed picture of a mediocre achievement. I think the charge is also true, though contrary to some appearances, of existentialism. An authentic mode of existence is presented as attainable by intelligence and force of will. The atmosphere is invigorating and tends to produce self-satisfaction in the reader, who feels himself to be a member of the élite, addressed by another one. Contempt for the ordinary human condition, together with a conviction of personal salvation, saves the writer from real pessimism. His gloom is superficial and conceals elation. (I think this to be true in different ways of both Sarte and Heidegger, thought I am never too sure of having understood the later) Such attitude contrast with the vanishing images of Christian theology which represented goodness as almost impossibly difficult, and sin as almost insuperable and certainly as universal condition.

Iris Murdoch. "On 'God' and 'Good'". Existentialists and Mystics. Penguin Books, 1999 [1950], pp. 340-341

terça-feira, março 03, 2009

Vizinhos inteligentes


segunda-feira, março 02, 2009

Está na altura de umas leituras


Adelaide Claxton, Wonderland, 1860


Está na altura de umas leituras difíceis. Talvez me vá aconselhar com o Passos Coelho. Ele deve ter lido Kant e o problema da metafísica na juventude...

A maravilha em cima veio d'O Silêncio dos Livros.

Sobre o Decameron

Sobre o Decameron: Decameron Web, um projecto do Departamento de Estudos Italianos da Brown University.

Os efeitos do ciúme num ‘animal humano’: sobre “A Sonata de Kreutzer”


A Sonata de Kreutzer (1889), de Lev Tolstói, termina com um pedido de perdão. Quem pede perdão é Pózdnichev, alguém que matou por ciúme e a quem o narrador dá a palavra na novela (enquanto viaja numa carruagem de comboio, o narrador aceita ouvir a história de Pózdnichev). De facto, a obra é muitas vezes apresentada como um ‘ensaio sobre o ciúme’ – o que leva a supor que Pózdnichev é uma espécie de Otelo do século XIX. Mas para além da descrição magistral do ciúme – i.e., dos seus efeitos na percepção que Pózdnichev tem do mundo e dos outros –, há outro aspecto que desperta a atenção durante a leitura: o facto de haver um questionamento sobre o que define a natureza humana. Em vários momentos do discurso, Pózdnichev discorre sobre a diferença entre o comportamento animal e o comportamento humano. E logo no início, há um comerciante velho que diz: «o animal é gado, mas ao homem foi dada a lei» (p. 12). Este comerciante responde a uma mulher para quem o casamento deve nascer do amor, das inclinações, da simpatia – em suma, do sentimento. Em certo sentido, o discurso de Pózdnichev consiste na condenação desta ideia; para ele, o casamento é um mal porque nasce de inclinações que aproximam o humano do animal, mas do animal incompleto, incapaz de se submeter a Deus, à lei: «Se ela [Pózdnichev refere-se à sua mulher] fosse um animal completo, não sofreria tanto, teria fé em Deus […]» (p. 63). E noutras passagens, explicita-se o problema: «uma coisa que só os animais têm, isto é, a ausência de imaginação e de razão» (p. 62); «Quando estávamos sozinhos os dois, quase nos condenávamos ao silêncio, ou então tínhamos conversas que até os animais por certo poderiam ter» (p. 65). Sucumbir depois ao ciúme é (note-se a comparação) perder as características de um animal humano: «Como um animal na jaula: ora saltava do lugar e me aproximava da janela» (p. 99). Com efeito, quando “imagina” (traço distintivo dos humanos) a traição da mulher, Pózdnichev assume: «Mas quem é ela? Como antes, continua a ser um enigma para mim. Conheço-a apenas como animal» (p. 94). Na verdade, só a morte provocará a consciência do carácter "humano" do outro: «Olhei para os filhos, para o rosto dela, contundido e inchado, e pela primeira vez me esqueci de mim, dos meus direitos, do meu orgulho, e pela primeira vez vi nela um ser humano» (p. 112).

Lev Tolstói. A Sonata de Kreutzer. Lisboa: Relógio d’Água, 2007. Tradutores: Nina Guerra e Filipe Guerra.

sábado, fevereiro 28, 2009

Sobre "Os filhos da meia-noite"


Na Ler de Fevereiro, Rogério Casanova assina uma “Breve Introdução à Teoria da Literatura” (Ler, n.º 77, pp. 12-12). O texto consiste numa síntese das tendências da Teoria da Literatura desde o formalismo russo, apostado em explicar como pode um conjunto de palavras causar certos efeitos, ao pós-colonialismo. A respeito desta última tendência, o humor de Casanova deita por terra certos argumentos que, em última instância, pretendem fazer da leitura literária uma forma de pedir desculpa pelo passado – colonial – do Ocidente. Lembrei-me desta "introdução" quando percebi, lendo algumas recensões, que a um livro como Os filhos da meia-noite, de Sulman Rushdie, é aplicado o rótulo “literatura pós-colonial”. Bom, depois de ter lido o romance de Rushdie, parece-me que se trata de um texto que permite questionar uma definição de literatura pós-colonial exclusivamente centrada no alcance histórico-político de uma obra. É certo que a vida de Saleem Sinai, aquele que nasce quando nasce a Índia (em 1947), está ligada "literalmente" e por “metáfora” (uma ideia que é repetida em várias passagens) aos acontecimentos políticos do país. Mas é importante notar que, depois de ter perdido todas as referências ao passado, referências representadas, metonimicamente, por uma escarradeira, Saleem percebe que a causa do seu mal – a causa da “injustiça” que descobriu na selva – é o significado político da sua existência, o facto de a sua vida ser um espelho da vida de um país, o que também explica a “doença do optimismo” de que sofre. A maldição (e o privilégio) de Saleem – penso que o texto autoriza esta interpretação – é, no fundo, a maldição (e o privilégio) de uma literatura que não pode contornar a História mas precisa, ao mesmo tempo, de libertar-se dessa História.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Melancolia doseada


«Semideuses», uma das crónicas reunidas em Primeira Pessoa (Casa das Letras, 2006), é uma resposta de Pedro Mexia às pessoas que o acusaram de apresentar de si mesmo uma imagem muito negativa, excessivamente desencantada. Mexia responde com Fernando Pessoa. Responde com um poema de Álvaro de Campos que consiste num conjunto de invectivas contra todos os que nunca falharam em nada, contra os que vencem sempre, contra aqueles que estão sempre de bem com a vida. É uma resposta aceitável, que legitima o tom pessoalíssimo dos textos de Primeira Pessoa. Em Nada de Melancolia (Edições tinta-da-china, 2008), livro que reúne as crónicas que apareceram entre Janeiro de 2006 e Abril de 2007 na revista NS do Diário de Notícias, o tom pessoal é ligeiramente atenuado para dar lugar, sobretudo, à enunciação do sentimento de nostalgia. Assim, o tom pessoal já não decorre tanto de uma descrição de si próprio – acompanhada, quase sempre, de auto-ironia –; ele nasce antes da descrição de certos objectos e espaços, aqueles a que a memória conferiu um poder evocativo especial. Entram nesta categoria músicas de Climie Fisher, os telegramas ou o Café Império, que esteve quase a ser substituído - o que não seria coisa de somenos importância - pelo Reino de Deus.

Sobre os "luseiros"... (não resisti a citar isto)

Depois de ter ouvido há pouco que o Sporting (que no outro dia deixou os adeptos em delírio) perdeu hoje por 0-5, não resisto a uma citação. E atenção que o que segue é um "exercício de humor":

«Os esportinguistas não são losers no sentido americano. São luseiros genuínos. É verdade que perdem muito. Mas esfalfam-se. Correm como doidos.
Aplicam-se denodadamente mesmo quando já vão três na bilha e só faltam vinte segundos. Nunca desistem; tal é o brio em perder.
São artistas da derrota, luseiros de primeiro. Marcam primeiro; o jogo parece ganho mas, graças a não sei que artes, acabam sempre por alcançar o objectivo. Chegam a jogar muito bem - estão provavelmente entre as melhores cinquenta equipas portuguesas. E podem melhorar. Os jogadores vão a todas. Esgotam-se fisicamente. Enquanto outras equipas que eu cá sei (como aquela do bairro do Benfica) se contentam com um florilégio de tornozelo aos 83 minutos; os jogadores do Sporting comportam-se conforme os princípios (e digo isto sem ironia) mais nobres do desporto inglês: o importante não é ganhar. É jogar; participar; fazer o melhor que se pode e, sobretudo, perder.
Não é possível, sem ajuda, que uma equipa tenha tanto azar como o Sporting. Vez após vez, conseguem perder jogos que mereceriam ganhar. Contratarão orixás banidos que lhes polvilhem o relvado de pragas? Sem dúvida.»

Miguel Esteves Cardoso. "Só para benfiquistas".
A minha andorinha. Lisboa: Assírio & Alvim, 2006. p. 175.

Outra maravilha. De Courbet


La femme au perroquet (1866)
Oil on canvas
The Metropolitan Museum of Art, New York

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Pessimismo (?) a propósito de Courbet

Eu dou um rebuçado ao senhor juiz se 1% dos licenciados portugueses — e não necessariamente dos que concorrem à polícia ou à magistratura — tiver alguma vez ouvido falar de Cindy Sherman ou Matthew Barney. Courbet? A que título?

Eduardo Pitta, "Ainda Courbet", no Da Literatura

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Ainda sobre o "Slumdog Millionaire"

Agradeço ao Ricardo Gonçalves, autor do blogue CineArte, a análise - a meu ver, justa e bem fundamentada - do filme Slumdog Millionaire e o link para as notas que escrevi sobre o mesmo filme.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Finais felizes. Algumas notas sobre o filme "Slumdog Millionaire"

Segundo li em alguns blogues - o Sound + Vision foi um deles -, a crítica de cinema entre nós andou agitada por causa do filme Slumdog Millionaire. No Expresso, Vasco Baptista Marques falou em «pornografia da pobreza» e «McDonaldização do real» (esta segunda expressão justificaria uma tese em semiótica...), sugerindo que o filme é um exemplo de como certas pessoas fazem cinema com a exploração da decadência e da pobreza. Como João Lopes já referiu no Sound + Vision, a brevidade do texto de Vasco Marques não ajuda na exposição do argumento. Na verdade, o argumento tem um ponto interessante se pensarmos que pode servir de mote para uma discussão sobre ética e arte; é que é muito difícil especificar quando, em cinema, se passa do "mostrar" ao "explorar". E, por vezes, a arte serve (verbo que uso aqui à falta de melhor) para isso mesmo: para lembrar que a decadência existe.

A intuição e algumas coisas que li levam-me a pensar que que há algo no filme Slumdog Millionaire que suscita facilmente embirrações: o final. Clarifico: o happy ending. Talvez pela influência que a concepção aristotélica da tragédia teve na apreciação da arte narrativa no Ocidente (ou talvez pela concepção cristã de que vive muita dessa arte), o final feliz está conotado com a pouca profundidade, como se, na condição humana (de que a arte será o espelho mais fiel), verdade e infelicidade coincidissem. Bom, o filme acaba bem, é um facto, mas não deixa de ser verdade que a história de um slumdog que se transforma em milionário é, num certo sentido, realista. É realista (i.e., fiel àquilo a que chamamos "vida") no sentido em que mostra que a vida é feita de coisas que controlamos e de outras que não controlamos (e é por isso que ideias como estas são um disparate), e que podemos ser felizes, ou experimentar 'momentos' de felicidade (uma inflexão para agradar aos mais cépticos), porque certas circunstâncias o determinaram. Fazemos coisas com vista à felicidade (sim, os clássicos têm sempre razão) mas nem sempre percebemos que coisas contribuem decisivamente para isso: para a nossa felicidade (para sabermos a "resposta certa") ou, veja-se a história do rei de Tebas, para a nossa infelicidade. Percebemos - esta é a nossa condição trágica, arrisco-me a dizer - quando relacionamos tudo (como Édipo ao ouvir o adivinho Tirésias), quando percebemos que a nossa vida é um enredo e que aquilo que fizemos teve determinadas consequências; e nesse momento, conhecendo ou não a felicidade, sabendo ou não as respostas, a vida faz sentido.

Como diz a dada altura o apresentador do programa, há situações que são "bizarramente possíveis". Não conheço explicação mais clara do conceito aristotélico de verosimilhança.

domingo, fevereiro 22, 2009

Elogio da leitura

[...]

Que uma pessoa não leia nada (não leia livros, porque jornais e revistas as pessoas vão espreitando) não me parece problemático. O catastrofismo nestas matérias é absurdo. Quem (como eu) lê compulsivamente, considera a leitura o alfa e ómega da existência. Mas não é. Se há pessoas que tendo aptidão e possibilidade económica para comprar livros, preferem não o fazer, isso é com elas. Há um certo totalitarismo dos leitores face aos que não lêem que tem aspectos detestáveis. Os leitores tratam os outros como gentalha. E dizem sempre que que não lê «não sabe o que perde». Que os livros nos oferecem prazeres e sensações únicas e inesquecíveis. Mas também há quem diga isso do surf ou do sadomasoquismo. E nem toda a gente compra pranchas e chicotes. Não há pois nenhuma razão para que os letrados se achem acima dos outros, e considerem o seu gosto como gosto universal.

Mesmo porque isso comporta alguns equívocos. As pessoas que elogiam a leitura invocam todo o tipo de vantagens. No entanto, tirando a vantagem estética, a leitura de livros não tem nenhuma utilidade especial. É mesmo uma actividade eminentemente e gloriosamente inútil. Imaginar que a cultura nos torna moralmente melhores é um erro trágico (vejam a Alemanha no século passado). As pessoas que lêem não se distinguem das outras pela virtude. Só um platónico ingénuo imagina tal coisa. Digamos que a literatura serve para tornar mais complexa e subtil a nossa percepção do mundo. É como um determinado vinho que prepara o nosso paladar para certa comida. Mas isso é uma experiência individual, contingente, imprevisível. E não nos deve levar a supor que as pessoas letradas são melhores pessoas.

Mais importante: a literatura não traz felicidade. O mundo está cheio de letrados miseráveis e poetas suicidas. Ao passo que entre as pessoas genuinamente felizes que conheci, estão dezenas que certamente só leram capítulos e fotocópias. Há um certo conforto na literatura, mas a literatura problematiza, questiona, traz angústias suplementares às nossas angústias naturais.

[...]

Pedro Mexia. "Victoria e os Livros". Primeira Pessoa. Casa das Letras, 2006, pp. 291-292.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Livros ao preço de um café


Começou há umas semanas. Num hipermercado, entre a secção de roupa e o corredor da comida para animais, lá estava ele: um grande monte de livros. E, no meio daquele conjunto caótico (onde autores muito diferentes - José Cardoso Pires, Paul Auster e Margarida Rebelo Pinto, para citar alguns - conviviam perfeitamente), alguns exemplares de Primeira Pessoa, um livro que reúne as crónicas que Pedro Mexia publicou na Grande Reportagem. O preço: 2,99 €.

Depois, foi o livro Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie. O romance que deu a Rushdie o Booker of Bookers Prize vinha com a Sábado por mais 1 €; a tradução é a da Dom Quixote. Esta semana é o Lolita, de V. Nabokov, pelo mesmo preço.

Hoje, foi a vez de Pedro, Lembrando Inês (2001) e O Anjo da Tempestade (2004), dois textos de Nuno Júdice - poesia e prosa, respectivamente - reunidos num livro que faz parte da colecção "Frente e Verso", uma nova colecção da Visão. O preço de cada livro é convidativo: cinquenta cêntimos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Famílias numerosas


Morning prayers with Sebastian Bach,
a painting by T. E. Rosenthal (1870)