quarta-feira, setembro 09, 2009

Publicidade

Se procura um sítio onde é possível ver um filmezinho e fazer sauna ao mesmo tempo, não procure mais! Temos aquilo que quer! Venha ao Festróia (Sala Mário Ventura), a partir das 14h00.

Ciências virtuais

«Repare Fernando Pessoa que a sociologia é uma ciência tão virtual como a metafísica .»

Álvaro de Campos, "O que é a metafísica?" (Fernando Pessoa. Crítica - Ensaios, Artigos e Entrevistas. Assírio & Alvim, 2000, p. 230)

O debate

Gostei do debate de ontem. Foi um debate vivo, com Louçã a admitir que é um radical mas um radical com «coerência». Sócrates foi hábil na forma como colocou a questão dos benefícios fiscais que o modelo proposto pelo Bloco pretende abolir. Penso que o modelo fiscal defendido no programa dos bloquistas parte do princípio de que tudo seria público e gratuito em matéria de saúde e educação, caso em que a existência daqueles benefícios pouco sentido faria (Louçã poderia ter deixado mais claro este ponto...).

Ah, e não falaram sobre educação. Pena. A propósito, não posso concordar mais com isto: «Acabar o liceu não pode ser um êxito político do Ministério da Educação.» (Carla Quevedo)

* (A ler também: o texto do Sérgio Correia "Separação das Águas")

** (É um exagero, mas tem graça: «A alucinação de Louçã é tal que a Sócrates bastava aparecer de barba feita e gravata posta.» - João Pereira Coutinho)

terça-feira, setembro 08, 2009

«Isto não é um livro»


O ritmo - «a longa pulsação, o fluxo e o refluxo do movimento sem fim» ("No mar a bordo de navios") - de Leaves of Grass é o de uma poesia que quer abraçar o mundo, «com pensamentos que se refiram ao todo» ("Ao partir de Paumanok", 12), e transformar a América num grande poema ("Ouço a América a cantar").

Está publicado pela Relógio D'Água, em edição bilingue.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Teorias da amizade

«As teorias da amizade são um obstáculo à amizade. Nunca nos podemos esquecer disso. O excesso de especulação deixa sempre incomodados os nossos amigos que, com razão, não estão interessados em ser cobaias das nossas pesquisas falíveis. Para evitar equívocos e para nossa própria segurança, talvez seja mais prudente pensar que a amizade nunca é o que poderia ser nem o que deveria ser. É apenas o que é ou não é. Os idealistas e os moralistas arriscam-se a ter poucos amigos.»

Pedro Lomba no "Sete Sombras"

domingo, setembro 06, 2009

Desculpas...

A pessoa que estava sentada à minha frente comentou dizendo «Isto só em Portugal!». Comentava assim a situação de termos estado a ver, no Festróia (no Auditório Charlot), um filme muito bom (The Narrows, do cinema independente norte-americano) numa sala com uma qualidade de som muito, muito má, filme cujo realizador (François Velle) estava presente. No fim - cereja em cima do bolo - a pessoa que tinha falado no início da sessão disse que a organização e (sic!) o realizador queriam pedir desculpa. O realizador a pedir desculpa? Enfim.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Festróia


O programa aqui.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Livros para crianças

«Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças.»

Fernando Pessoa. "Naufrágio de Bartolomeu" (1913). In Crítica. Ensaios, Artigos e Entrevistas. Edição de Fernando Cabral Martins. Assírio & Alvim, 2000, p. 78.

Palmas no avião

Aqui fala-se de pessoas que batem palmas nos voos. Na minha última viagem de avião, ouvi a melhor frase sobre o fenómeno. Foi dita em voz alta pelo homem que estava sentado atrás de mim: «Então era suposto que isto corresse mal?».

As frases do debate de ontem

«Não se irrite» (José Sócrates e Paulo Portas)

«Há um filme chamado Eu sei o que fizeste no Verão passado» (José Sócrates)

terça-feira, setembro 01, 2009

A história de um ataque de riso

Passei hoje na Bertrand e comprei um livro: O que é a filosofia?, de Ortega Y Gasset (uma obra que está incluída na excelente colecção da Biblioteca Editores Independentes). Quando ia pagar, reparo no saco da livraria. No saco lia-se «Cartão Leitor Bertrand - Carregado de Vantagens». Perguntei logo quais as vantagens do cartão (na minha mala só tenho dois "cartões que dão desconto": um do Modelo e outro da Fnac). Ouvi com atenção até à parte em que a pessoa me diz que o cartão de leitor dá desconto imediato de 10% MAS só nas «segundas segundas-feiras de cada mês». Ao ouvir isto tive um ataque de riso. Tive mesmo. Pedi desculpa porque não conseguia ouvir mais nada. Foi quase um minuto de riso. Razões? As perguntas que surgiram na minha mente. Foram várias. Será que há pessoas que esperam pelas «segundas segundas-feiras de cada mês» para comprarem livros? Porquê às «segundas segundas-feiras de cada mês»? E porque não às «segundas quartas-feiras de cada mês»? Ou aos «segundos domingos de cada mês» (como acontece com algumas feiras)? Mas quem é que se lembrou desta grande vantagem?
Lá acabei por pagar - sem desconto, porque hoje é terça-feira, é a primeira semana do mês e eu nem tenho um cartão carregado de vantagens...

A ver se ainda apanho

...a exposição de Henri Fantin-Latour na Fundação Calouste Gulbenkian.

Portrait of Mlle C. D. [Charlotte Dubourg], 1882, Oil on canvas, 117 x 92 cm

«De facto, em toda a pintura de Fantin-Latour, e não só nos retratos, transparece a contenção própria de uma certa tristeza de ser, a contemplação do mundo numa espécie de melancolia posta em surdina.» (Vasco Graça Moura, no DN)

segunda-feira, agosto 31, 2009

Pérola!!!


Encontrada no "ABC do PPM".

Snif, snif... Desculpem, mas estou muito comovida


Do "Delito de Opinião" veio um prémio para este blogue: o prémio de "blogue viciante", «no «bom sentido», como escreve o Pedro Correia. Muito comovida, só tenho de agradecer o prémio. Do "Provas de Contacto" chegou também, há algum tempo, um "biscoito". Tomando a liberdade de juntar os desafios que vinham com os dois prémios, vou então indicar dez blogues que merecem o título de "viciante" e um "biscoito":


O desafio do "Delito de Opinião" exige também que se enumerem três objectivos para os próximos tempos. Aqui ficam:
1) decidir em quem vou votar;
2) ver os filmes do Hitchcock que ainda não vi;
3) escrever o último capítulo da tese (este é mais um "imperativo").

domingo, agosto 30, 2009

Aleluia!!


Segundo li na segunda página do Expresso, há alguém em Portugal - os Gato Fedorento - com vontade de fazer uma coisa semelhante ao "The Daily Show", o programa de Jon Stewart.

"Rousseau e outros cinco inimigos da liberdade"


Este livro fala de um grupo de pessoas que responderam de forma muito diferente aos problemas da filosofia política. Cada uma dessas pessoas - Helvétius, Rousseau, Fichte, Hegel, Saint-Simon e Maistre - reflectiu a partir de um determinado conceito de liberdade, o tema principal dos textos de Isaiah Berlin. Rousseau, por exemplo, queria tanto defender a liberdade individual (é caso para dizer que a intenção era boa) que acabou por limitá-la radicalmente; é neste sentido que Berlin fala de um «paradoxo funesto» (p. 73) quando comenta o pensamento do autor de O Contrato Social.

Já Hegel é descrito como um filósofo obscuro que submeteu a liberdade individual a uma 'grande visão metafísica'. Segundo Berlin, o esquema hegeliano de interpretação racional do Universo e da História não passa de uma 'imensa e perigosa mitologia': o «crime» de Hegel «foi ter criado uma imensa mitologia na qual o Estado é um indivíduo e a História é um indivíduo e existe apenas um único padrão que somente o conhecimento metafísico é capaz de revelar. Criou uma escola de História a priori [...]» (p. 135).

Citável pela clareza é a passagem em que Berlin explica a refutação das teorias contratualistas de Rousseau e outros por Joseph de Maistre:

«[o século XVIII] Ensinou-nos que a sociedade se baseou num contrato. Mas isso é um absurdo, tanto lógico como histórico. O que é um contrato? É uma promessa. Temos então um conjunto de indivíduos racionais que se reúnem - afirma Maistre de modo zombeteiro - com o objectivo de organizarem uma existência pacífica que lhes proporcionará consideravelmente mais bens terrenos, segurança, felicidade, liberdade, ou o que quer que seja que desejem, do que obteriam num determinado estado de natureza. E como o fazem? Construindo um estado como se este fosse um banco ou uma empresa de responsabilidade limitada. Mas mesmo isso exige que a promessa, o contrato social, seja executória. Tem de existir um instrumento para, se alguém a infringir, forçar essas pessoa à submissão ou banição. Mas um conjunto de homens que compreendem conceitos como promessas e o cumprimento de promessas é já uma sociedade completamente madura e sofisticada.» (pp. 178-179).

A exposição de Berlim é clara (a origem dos textos - conferências radiofónicas - ajudará a explicar esta clareza), tornando evidente o perigo de certas ideias. Mas é importante não perder de vista o sentido de "liberdade" que suporta o pensamento de Berlim: «é a liberdade preconizada pelos grandes pensadores liberais ingleses e franceses» (introdução, p. 24), e não um conceito universal e sem história.

Genial, genial, genial

sexta-feira, agosto 28, 2009

quarta-feira, agosto 26, 2009

"Parolo, mas sincero"


Encontrei a pérola no blogue a dignidade da diferença.

segunda-feira, agosto 24, 2009

É oficial


Caríssima, vamos passar à fase da comida light. Eu não queria, mas já estás com seis quilos...