sexta-feira, novembro 06, 2009

"Olhos Verdes"

Não deixa de ser estranho: gosto muito de um livro que ainda não li. O livro tem quase duzentas páginas, e eu ainda só li dez. Falo de Olhos Verdes, de Luísa Costa Gomes. Eu, que sempre achei parva a ideia de não se ter tempo para ler, ando a aprender que há alturas na vida em que não há mesmo tempo para ler, para ler aquilo que queremos, bons ou maus livros. São épocas de muito trabalho, em que é preciso ler coisas com uma finalidade específica, para certos fins. No final do dia, o cansaço acumula-se, desafia a nossa curiosidade e vence-a. Nada a fazer. Sentimos saudades de épocas em que vamos à estante e escolhemos qualquer coisa, ou saímos e voltamos com livros novos na mala.
Olhos Verdes fala de pessoas que se definem pelo mistério. Releio na segunda página: «Talvez se espere demais das pessoas muito bonitas. Afinal, o mistério é delas». Está na colecção Mil Folhas, do Público.

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Anotem na agenda

O presidente da SAD do Sporting diz que hoje é «o dia do Paulo».

sábado, outubro 31, 2009

Intuições

Parece que anda aí uma "onda". É verdade. Uma pessoa liga o rádio e pensa que que está ouvir a RFM: a música é sempre a mesma. Anda toda a gente (quase toda a gente) do PSD a dizer o mesmo, a chamar por Marcelo Rebelo de Sousa. O refrão é este: tem excelentes qualidades, é um óptimo candidato, o partido não pode desperdiçar o talento do professor Marcelo... Bom, ou a minha intuição falha ou o PSD volta a enganar-se.

domingo, outubro 25, 2009

Isto dá-me muito jeito

Um dia destes, não preciso de preparar a aula. É que os Gato Fedorento arranjaram material de primeira para um exercíciozinho de 'caça ao erro'...

sexta-feira, outubro 23, 2009

Vasco Pulido Valente sobre «meia dúzia de patetices»

«Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito.»

Vasco Pulido Valente, "Uma farsa". Público. 23.10. 2009

É imaginação minha...

ou nunca se ouviu falar tanto de harakiri desde que o Presidente da República resolveu falar aos portugueses sobre as suas interpretações pessoais? Há dois dias, na Sic Notícias, ouvi dizer - a um economista, creio - que certas decisões políticas seriam o mesmo que um harakiri...
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sexta-feira, outubro 16, 2009

Da Manuela ao Rato Mickey

Bibliotecas

Kansas City Public Library

Sugestões

Há duas semanas comecei a dar aulas. É a primeira vez que estou numa sala com o objectivo de ensinar «conteúdos e competências» a uns miúdos que têm entre 15 e 17 anos. E tenho uma intuição que ando a confirmar: alguns miúdos têm um sentido de humor fantástico. Ontem, numa apresentação que teve lugar na biblioteca da escola, foi-lhes pedido que respondessem a um questionário, onde deviam indicar sugestões para aquisição. Poucos tinham sugestões, mas um lembrou-se de uma e escreveu assim: «para mim, não há dúvidas: considero verdadeiramente imprescindível a aquisição do Borda d'Água».

terça-feira, outubro 13, 2009

A selecção e os Buraka

«Vou dizer: a selecção portuguesa de futebol só brilha quando depende dos outros. Somos periféricos vaidosos. Sozinhos, é raro irmos lá. Mas, caso dependamos de quem julgamos (com razão) superiores (a Suécia e a Dinamarca), sob todos os aspectos (excepto o gastronómico e climatérico), florescemos.
É como os Buraka Som Sistema: são bons (e centrais) porque são periféricos, da Buraca.»

Miguel Esteves Cardoso, "É bom depender". Público, 12.10.2009

segunda-feira, outubro 05, 2009

quarta-feira, setembro 30, 2009

Nina, de Karenin

«Ela cresceu e transformou-se na mais simpática, na mais corajosa, na mais inteligente cadela que poderíamos conhecer, e - a propósito - nada feia. Dei-lhe o nome de Nina, diminutivo de Karenina, por causa de Karenin, a cadela d'A Insustentável Leveza do Ser, um dos meus livros preferidos, que por sua vez tinha sido assim chamada por causa de Anna Karenina
Mark Rowlands. O Filósofo e o Lobo, p. 135

Escrever bem, com clareza e profundidade, é a forma de gentileza própria do filósofo, como diria Ortega y Gasset. Mark Rowlands tem essa gentileza - e o livro O Filósofo e o Lobo é um bom argumento para provar a afirmação. O livro mereceu a excelente crítica de João Pereira Coutinho no Folha de S. Paulo.

*(O texto do JPC também está aqui, com fotos de «divindades felinas»)

Isto é capaz de ser útil


(Sobre o discurso do Presidente da República, destaco o comentário do Sr. Inácio: «É pá, eu ainda não percebi bem aquilo das escutas». O Sr. Inácio é a pessoa que me vende o pão todos os dias de manhã.
Eu só ouvi o discurso uma vez, em directo, e parece-me que o Presidente terá dito, perto do final, isto: «Vou agora dirigir-me aos Portugueses.» Então antes esteve a falar para quem? Só para o Largo do Rato?)

segunda-feira, setembro 28, 2009

Homens e lobos

Entretanto, aproveitei o tempo de meditação para começar a ler O Filósofo e o Lobo, o livro de Mark Rowlands que foi agora publicado em Portugal pela editora Lua de Papel. Por aquilo que já li, pude concluir que não é o livro mais indicado para pessoas que têm uma visão luminosa da natureza humana.

Interpretações

As noites eleitorais são uma ocasião excelente para assistirmos a um exercício espantoso: certas pessoas conseguem falar das derrotas como se fossem uma coisa muito boa. Às tantas, uma pessoa fica com dúvidas, esfrega os olhos e pergunta: mas estas pessoas estão a ver o mesmo que nós?
Ontem, a interpretação verdadeiramente fabulosa coube – é preciso sermos justos – ao PCP. Sim, tiveram mais votos, mas são hoje a quinta força política, atrás do BE, que teve um resultado muito bom, apesar não ter sido o que previam algumas sondagens. É sabido que os partidos estipulam objectivos, e que é com base nesses objectivos que avaliam os sufrágios – mas o resultado de um partido não pode ser avaliado em termos absolutos, tendo apenas em conta o número de votos desse partido em eleições anteriores. Para mim, a interpretação menos delirante foi a de Paulo Portas, que tinha várias razões para estar feliz.
O PSD? O PSD também ganhou, é verdade. Ganhou 'legitimidade para ser oposição' (Pacheco Pereira dixit). Bom, esperemos para ver até onde vai o martírio de Manuela Ferreira Leite. Como dizia o director do DN, se o PSD tiver uma vitória importante nas autárquicas, confirma-se que as coisas só correm mal quando é a líder que está a ser avaliada.
Sobre o PS, Manuel Alegre disse tudo: é preciso ter «talento» para gerir a nova situação. Vamos ver se José Sócrates & Companhia têm esse talento.

sexta-feira, setembro 25, 2009

E agora: tempo de meditação


Esther Bubley, Chasing the night (1943)

(importada do Café Central)

Passar a mensagem

Eu, Ana Sofia, escrevo este post porque uma agência de comunicação me ordenou que o fizesse. Creio mesmo que não estou em mim e que alguém se apoderou do meu espírito. A agência de comunicação pede-me neste momento (estou a receber informações enquanto escrevo...) que entre em contacto com Pacheco Pereira para lhe dizer que o "Quadratura do Círculo" de hoje foi muito esclarecedor, destacando-se a gargalhada do Lobo Xavier quando o António Costa afirmou que Cavaco Silva era o seu Presidente e o Presidente de todos os Portugueses.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Muito oportuno, sim senhor


Chega a Portugal a primeira loja dedicada à espionagem. Entregas em 24 horas.

(também aqui)

Este foi um dia especial

Foi o dia em que fiquei a saber que vivo numa cidade de «realidade descalibrada» (Laurinda Alves). Para mais esclarecimentos, é só ir até aqui.